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miércoles, 05 de diciembre de 2012

Especial Inclusão Financeira: Experiências de cooperativismo de crédito solidário

por Cledir Magri

O cooperativismo de crédito familiar e solidário tem se constituído como importante e estratégica ferramenta de democratização do acesso ao crédito e demais produtos e serviços financeiros, já que contribui para a superação da pobreza mobilizando e representando milhares de pessoas que, historicamente, estiveram excluídos de políticas públicas de promoção ao desenvolvimento humano e da cidadania.

Levar serviços financeiros para locais que possuem pouco ou nenhum acesso é o principal foco das cooperativas. Com essa missão, colaboram para o desenvolvimento local e, paralelamente, aumentam a confiança entre os moradores, uma vez que a administração dos recursos fica sob responsabilidade da própria população beneficiada. Apesar de o dinheiro ser a principal fonte e o principal material das cooperativas, elas não têm como objetivo primeiro fins lucrativos, caracterizando-se, assim, como uma organização que preza pelo bem estar e pelo desenvolvimento social dos grupos que pretende atingir.

Cabe lembrar, ademais, que são muitas as famílias que a cada ano mudam sua condição social e econômica devido aos trabalhos desenvolvidos pelas cooperativas que, em geral, disponibilizam linhas de crédito e repasses do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar[1] (PRONAF) ou investem recursos próprios e linhas de crédito que estimulam a habitação rural e urbana. Na medida em que os agricultores acessam o crédito, há uma transformação em suas realidades, pois o crédito acompanhado de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) tem permitido que os cooperados ampliem sua produção e, consequentemente, sua renda, conquistando assim uma significativa melhora na qualidade de vida.

Segundo o portal ‘Cooperativismo de Crédito’[2], o Brasil já conta com mais de 1.200 cooperativas de crédito, o que demonstra um esforço coletivo em torno do crescimento do pequeno e médio agricultor e no seu poder de transformação social.

Um exemplo bem sucedido de cooperativa de crédito rural é a Cresol. Constituída em 1995, busca de forma constante construir um cooperativismo calçado na lógica da solidariedade, potencializando o desenvolvimento local de forma sustentável e solidária. A Cresol, além do crescimento nos seus indicadores, consolidou sua marca, sua credibilidade e, acima de tudo, possibilitou a transformação econômica e social de milhares de famílias. O Sistema Cresol Central SC/RS foi constituído no ano de 2004 a partir do desmembramento da Cresol Baser (PR) e conta com 8 Bases Regionais de Serviços, 61 Cooperativas Singulares e 117 Postos de Atendimento, que atendem mais de 125 mil associados e movimentam mais de R$ 1,5 bilhão de ativos.

A forma de atuação do Sistema Cresol Central SC/RS tem permitido a cada ano a inclusão financeira de milhares de pessoas que até então estavam excluídas do sistema financeiro nacional, pois o crédito é um elemento estratégico na lógica de desenvolvimento do país. Nessa perspectiva, o cooperativismo de crédito, mesmo com sua pequena participação no sistema financeiro nacional (aproximadamente 2,5%) cumpre importante papel no desenvolvimento, tanto local como regionalmente, sempre levando em conta os aspectos sociais, econômicos, políticos, culturais e ambientais.

É importante ressaltar que vários foram os avanços no marco legal do cooperativismo de crédito no Brasil, o que permitiu avançar na sua atuação e respectivamente no campo das políticas públicas para a agricultura familiar. Tais melhoras impactam positivamente no crescimento do Sistema Cresol Central SC/RS, já que os avanços no marco legal, somados à qualificação e à constituição de novas políticas públicas para a agricultura familiar, são ingredientes valiosos para garantir as conquistas do Sistema. Atrelados a esses dois pontos, soma-se o fato da Cresol possuir um modelo de cooperativismo baseado no controle social, na gestão horizontal democrática e participativa, no trabalho dos agentes de desenvolvimento, com reuniões nas comunidades, realização de pré-assembleias e na formação técnica e política para seus vários segmentos - entre outros mecanismos de governança que compõem o escopo operacional e estratégico da Cresol Central.

Evidentemente, este cenário relacionado ao crédito sinaliza um projeto ideal em que os recursos permitem aos agricultores aumentarem sua produção, sua renda. Mas existem situações nas quais os agricultores, mediante o acesso ao crédito, acabam endividando-se, devido a um conjunto de fatores que compõem a natureza do negócio. Diante disso, é importante enfatizar também na relevância da educação financeira. Encontros, seminários, intercâmbios e demais espaços de reflexão podem colaborar para um saldo positivo, em que os agricultores gradativamente mudem suas condições de trabalho, a convivência no meio rural e, por extensão, a qualidade de vida.

O cooperativismo de crédito solidário possui expressiva contribuição para a erradicação da pobreza nas comunidades na qual está inserido. O crédito possibilita mudanças substanciais na estrutura familiar nos diferentes âmbitos garantindo a permanência das famílias no meio rural produzindo alimentos e riqueza para nosso país.



[1]           Pronaf Custeio e Pronaf Investimento.

 

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