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lunes, 10 de diciembre de 2012

Especial Inclusão Financeira: A INCLUSÃO FINANCEIRA POSTAL, UMA NOVA PERSPECTIVA

por Alexandre Berthaud

Ainda que, para o público em geral – e mesmo para os especialistas, o Correio seja visto como um campeão improvável na luta contra a exclusão financeira, a julgar pelos seus resultados atuais, o Correio representa, de fato, um papel preponderante a favor da inclusão financeira.  Na realidade, vários Correios iniciaram recentemente um processo de transformação de grande porte, pelo qual passam do status de administrações voltadas para as atividades de correio para o de empresas comerciais modernas e diversificadas com a missão social de servir toda a população.

A inclusão financeira postal é o processo pelo qual aqueles que são excluídos do setor financeiro formal podem ter acesso ao sistema financeiro através da rede postal.  Em outras palavras, a inclusão financeira postal é o meio pelo qual estas pessoas podem beneficiar-se da prestação de serviços financeiros através dos operadores postais. A inclusão financeira postal não significa necessariamente que o Correio oferece seus próprios serviços financeiros às pessoas que não têm acesso aos serviços bancários, mas que estas pessoas podem ter acesso a estes serviços na agência de Correio no âmbito de uma parceria com uma instituição financeira.

Tendo em vista as extensas oportunidades da inclusão financeira postal, a Union Postal Service (UPU) publicou um relatório a respeito, que apresenta em detalhes esta dimensão da inclusão financeira, que não havia sido estudada de maneira detalhada antes.

Depois dos bancos, os operadores postais e suas filiais do setor dos serviços financeiros postais são os principais contribuidores para a inclusão financeira no mundo, bem adiante das instituições de microfinança, os organismos de transferência de fundos, as cooperativas, as companhias de seguro, os operadores de serviços financeiros móveis e todos os outros prestadores de serviços financeiros. Em 2010, 51 operadores postais detinham 1,6 bilhão de contas de poupança e de contas de depósito. Se partirmos do princípio, segundo uma estimativa prudente, de que um cliente simples do Correio possui 1,5 conta, isto significa que mais de um bilhão de pessoas têm acesso aos serviços bancários através do Correio.

Apenas 6,5% dos operadores postais da amostragem considerada não oferecem serviços financeiros. A maioria dos serviços envolve as transações, e os produtos oferecidos com mais frequência são as transferências de fundos nacionais, pagamento de faturas, as transferências de fundos internacionais e o pagamento de prestações sociais. Várias centenas de milhões de pessoas, com frequência sem uma conta, utilizam o Correio para efetuar e receber pagamentos correntes.

O Correio representa a mais vasta rede de pontos de contato no mundo, com 662 000 pontos de contato em 2011,[1] mas essa rede é sub-explorada para a inclusão financeira, pois nem todos os operadores postais oferecem uma ampla gama de serviços financeiros.  Em comparação, as estatísticas do FMI para 2010 sobre o acesso aos serviços financeiros indicam um total de 523 000 sucursais bancárias e terminais automáticos de saque bancário no mundo [2]

Os operadores postais utilizam principalmente cinco modelos comerciais (MC) diferentes para participar da inclusão financeira: MC 1 – Fornecedor de liquidez para os prestadores de serviços públicos e de serviços financeiros (modelo presente em 83% dos países); MC 2 – Serviços financeiros transacionais oferecidos diretamente pelo Correio (modelo presente em 63% dos países); MC 3 – Parceria com um fornecedor de serviços financeiros (modelo presente em 24% dos países); MC 4 – Serviços financeiros postais não regulados (modelo presente em 24% dos países); MC 5 – Serviços financeiros postais regulados (modelo presente em 9% dos países). Outro modelo comercial, que chamaremos MC 0, considerando o fato de que ele não tem nada a ver com o Correio, é aquele segundo o qual o operador postal aluga um espaço a um fornecedor de serviços financeiros para a venda de seus serviços. Os países podem adotar um ou vários modelos comerciais. 

A análise dos dados confirma a existência de compromisso entre impacto e investimento e entre viabilidade e facilidade de implementação, segundo o modelo comercial utilizado. Os dados indicam que os Correios que aplicam os modelos comerciais mais elevados e oferecem seus próprios serviços de poupança, de seguro ou de empréstimos (regulados ou não) têm uma parte maior de renda proveniente dos serviços financeiros postais do que aqueles que usam o modelo baseado na parceria ou modelos inferiores. Segundo a teoria do compromisso, os primeiros tipos de modelos comerciais (fornecedor de liquidez e serviços transacionais exclusivos) são os mais fáceis de implementar e aqueles que exigem menos investimento, mas também parecem ter menos impacto em termos de inclusão financeira e de viabilidade do Correio a longo prazo. Em contrapartida, os modelos que se baseiam em uma implicação maior do Correio e envolvem uma gama de produto mais ampla, como os modelos MC 3 (parceria), MC 4 (serviços financeiros não regulados) e MC 5 (banco postal), produzem resultados significativos em termos de inclusão financeira e de viabilidade a longo prazo para o Correio, desde que sejam bem geridos, mas eles requerem investimentos importantes e são difíceis de implementar. Os operadores postais podem utilizar estas indicações para determinar qual é o modelo comercial mais adaptado à sua estratégia de diversificação em função das condições locais.

Onze fatores de sucesso comuns foram identificados. Em alguns casos esses fatores podem representar um desafio para os Correios, em particular nos países em desenvolvimento. Os fatores que devem ser considerados quando se analisa o grau de preparação de um operador postal que deseja desempenhar um papel de vanguarda na inclusão financeira são: 1) rede; 2) pessoal; 3) capacidade financeira; 4) confiança; 5) automatização e integração dos processos; 6) vontade de promover a inclusão financeira; 7) governança entre o Correio e os serviços financeiros postais; 8) quadro jurídico e regulamentar; 9) marketing, 10) flexibilidade, e 11) herança.

Existe um ponto de equilíbrio entre os dois objetivos gerais que devem ser considerados para que a inclusão financeira se torne realidade no mundo todo: de um lado, o impacto da inclusão financeira, e por outro lado, a viabilidade do operador postal. Se as operações postais não são viáveis, a inclusão financeira não terá efeito duradouro. Se os serviços financeiros postais são oferecidos apenas nas cidades grandes, ou apenas àqueles que já têm acesso aos serviços bancários, ou a tarifas proibitivas para os pobres, então o operador postal terá apenas um impacto limitado sobre a inclusão financeira postal.

Independente do modelo comercial escolhido pelos operadores postais, o relatório propõe planos de ação em matéria de inclusão financeira postal envolvendo os operadores postais, os governos, os bancos centrais e os parceiros do desenvolvimento, e ele convida as partes interessadas a examinar e a comentar estas recomendações. Se estes planos de ação se concretizarem, o Correio poderá incluir financeiramente um bilhão de pessoas a mais. De fato, 500 milhões de pessoas poderiam ter acesso a serviços bancários se os 141 Países-membros da UPU que ainda não oferecem serviço de poupança começassem a oferecer uma gama mais ampla de serviços financeiros. Por outro lado, nos 51 países onde serviços baseados em contas já existem, pelo menos 500 milhões de pessoas a mais poderiam se integrar ao sistema financeiro formal durante a próxima década. No entanto, isto só poderá ser realizado se os operadores postais, com o apoio de seus governos, mas também dos investidores, se lançarem em um vasto processo de modernização.

Para ter uma cópia do relatório completo, queiram dirigir-se a: Sr. Alexandre Berthaud, Especialista em inclusão financeira, alexandre.berthaud@upu.int



[1] Helble M., Postal Statistics 2011, UPU, 2012; aguardando publicação

[2] Financial Access Survey, Fundo Monetário Internacional, 2010. http://fas.imf.org/

 

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