<%=NBResource_01_01 %>

Nuestros escritores y editores ofrecen ideas sobre las últimas noticias, eventos, entrevistas y acontecimientos del universo de desarrollo por empredimiento. Todos los post de NextBillion se enumeran aquí y pueden ser ordenados por fecha.

jueves, 13 de diciembre de 2012

Comportamento financeiro dos beneficiários do Bolsa Família: IV Fórum Inclusão Financeira

por Helen Wernick

Nota da editora: este post foi inicialmente publicado no blog Inclusão Financeira - Brasil, como cobertura do 3º Fórum do Banco Central sobre Inclusão Financeira.

Durante o IV Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira realizado em Porto Alegre/RS, a Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, comentou alguns resultados da pesquisa nacional realizada pelo MDS sobre o comportamento financeiro dos beneficiários do Bolsa Família. A pesquisa revela que a maioria dos beneficiários que não tem conta bancária deseja ter uma conta. Os dados levantados revelam que 50% da população do Bolsa que ainda não teve acesso ao crédito, tomou dinheiro emprestado com amigos ou parentes. De acordo com a Ministra, ao contrário do que se pensava, a população precisa de acesso a serviços financeiros e quer ter esse direito.

Ao longo de seu discurso, a Ministra Campello perguntou o que precisamos fazer para reduzir as barreiras de acesso dessa população a produtos e serviços financeiros.As barreiras de acesso, ao contrário do que se pensava não são de distância, não são de acesso a rede, não são pela falta de correspondentes bancários. Na realidade, a população está desinformada com relação ao seus direitos. As pessoas acham que para abrir uma conta corrente é preciso um depósito mínimo. A Ministra Tereza Campello informou que o Brasil abriu mão dessa exigência e de outras com o surgimento da conta simplificada. Mesmo assim, os beneficiários do Bolsa acham que não têm condições de abrir uma conta. Eles têm medo de acessar o sistema financeiro por conta da burocracia, por medo das máquinas, por medo de serem maltratados. Para ela, o maior desafio é conseguir superar essas barreiras estruturais que impedem a população mais necessitada de ter acesso ao conjunto de produtos e serviços financeiros.

De acordo com a Ministra Tereza, é preciso identificar as necessidades dessa população. Não podemos mais querer adaptar os produtos já existentes para o público pobre. Na verdade, é preciso desenhar produtos que sejam adequados, apropriados e específicos a essa população e não adaptar produtos que servem para outras faixas de renda. A Ministra Tereza Campello encerrou sua fala dizendo que é preciso ir atrás dessa população para oferecer microcrédito, poupança e microseguro. A população de baixa renda quer ter acesso, quer ter oportunidades, quer participar da inclusão bancária.

No segundo dia do Fórum, Gustavo Camilo Baptista, Coordenador-Geral de Logística de Pagamento de Benefícios da SENARC/MDS, informou que o Bolsa Família alcança mais de ¼ das famílias brasileiras,  promovendo alívio imediato da pobreza, redução do ciclo intergeracional da pobreza e desenvolvimento das famílias por meio de projetos complementares. Gustavo Baptista disse que o Bolsa realiza um processo de sub-bancarização. A CAIXA emite um cartão para a família quando ela se inscreve no programa, esse cartão é enviado para a família pelo correio, que usa esse cartão apenas uma vez por mês. Isso facilitou o pagamento do Bolsa quando comparado a outras programas de transferência de renda na América Latina, em que o pagamento é realizado em dinheiro, em data e hora marcados. Outra facilidade é a rede de correspondentes bancários, que permite aos beneficiários se deslocarem a um ponto de atendimento mais próximo, sem necessidade de ir até uma agência.

Atualmente, 20% dos pagamentos do Bolsa são efetuados via Conta CAIXA Fácil. Ou seja, 2.646.804 pessoas recebem o benefício por meio de uma conta corrente simplificada; fruto do projeto de inclusão bancária realizado em parceria com a CAIXA de 2008 a 2010. Entrento, apesar de ter acesso a uma conta bancária, a maioria desses beneficiários continua se comportando como se tivesse o cartão social: dirigem-se ao correspondente no dia do recebimento e sacam tudo, gerando longas filas e problemas de deslocamento. Essa inatividade das contas bancárias levou o MDS a concluir que o projeto de inclusão bancária não foi completo, pois não conseguiu resolver todos os problemas. Apesar de formalmente bancarizados, os beneficiários não estão usando a conta.

Visando identificar as causas desse problema e com o objetivo de compreender o comportamento financeiro dessas famílias, o MDS realizou uma pesquisa nacional em 2011, ainda não disponível ao público, com 12.885 pessoas. A pesquisa foi realizada pela SAGI/MDS em parceria com a SENARC/MDS e procurou fazer um levantamento sobre conhecimentos, atitudes e práticas financeiras das famílias com inscrição no Cadastro Único. Observou-se que 47,40% dos beneficiários entrevistados disseram não usar contas bancárias por não ter dinheiro/haver exigência de depósito mínimo.

Gustavo Baptista apresentou algumas das limitações da atual logística de pagamento do Bolsa. Ainda não foi possível atender a demanda por canais de pagamento em algumas regiões do país. As famílias ainda arcam com custo de transporte, enfrentam longas filas e estão sucetíveis a más práticas como retenção de cartões. Outro problema citado foi a baixa adesão dos serviços financeiros disponibilizados pela logística de pagamento do Bolsa. Além de aumentar a vulnerabilidade econômica dos beneficiários, dificulta a construção de ativos financeiros.

A partir dos resultados da pesquisa nacional, o MDS partiu para o desenvolvimento de uma proposta para melhorar a oferta de pagamentos para os beneficiários do Bolsa. Essa nova proposta assume que a inclusão financeira dos beneficiários do Bolsa é relevante e deve ser feita de maneira progressiva e sustentável. Outra premissa consiste em ações de educação financeira que considerem a diversidade do público do Bolsa em relação a conhecimentos, práticas e atitudes sobre finanças, níveis educacionais, rendas, distribuição espacial e ocupação formal e informal.

Gustavo informou, ainda, a criação de um grupo de trabalho, em agosto de 2012, para desenvolver programas e ações de educação financeira e previdenciária às famílias do Bolsa. O grupo de trabalho lançou o “Projeto de Educação Financeira para os beneficiários do Bolsa” cujo objetivo principal é oferecer condições para a tomada de decisões autônomas e conscientes sobre as relações econômicas que se estabelecem no dia a dia da população do Bolsa. Os objetivos desse Projeto incluem:

  • sensibilizar a população pobre para a importância da reflexão sobre as suas relações econômicas.
  • possibilitar compreensão sobre a oferta, o uso, os riscos e as funcionalidades dos produtos e serviços financeiros e previdenciários ao seu alcance.
  • possibilitar a compreensão de direitos e deveres como consumidor financeiro, bem como a proteção contra práticas abusivas.
  • desenvolver habilidades básicas relacionadas à gestão de finanças pessoais.
URL amigable: 

Story Snapshot

CLOSE